Veri Serpa

O que a vida me ensinou

A verdade é que com o passar dos anos, especialmente a partir dos 30, pelo menos no meu caso e de pessoas próximas com quem tenho conversado, a cada dez anos temos o costume, até mesmo inconsciente, de pensar na velhice e ponderarmos sobre a vida, sobre o que deveríamos ter feito diferente, se os relacionamentos estão nos fazendo feliz, etc.

Acredito que geralmente passamos a aceitar e ver o amadurecimento como algo positivo, os aprendizados e os frutos colhidos ao longo dos anos fortalecem o nosso emocional influenciando como agimos profissional e socialmente. A maioria de nós aprendemos a refletir e partilhar as nossas experiências. É nessa reflexão sobre a vida, sobre o que passamos, aonde e como estamos vivendo, nossas relações de amor e amizade, perdas e ganhos, vida e morte, esse conjunto de fatores nos trazem lições que nos fazem ser o que somos e olharmos a vida adiante com outros olhos, com outras perspectivas.

Uma das primeiras lições com certeza é abrir mão do que te faz mal, a raiva nunca é apenas raiva, na verdade ela é um encobrimento por medo, mágoa ou decepção. Aprender a perdoar é fundamental para evitar uma vida pesada. Eu disse perdoar, não disse esquecer,ou seja, lembrar o fato sem se ferir, sem sofrer, sem se deixar consumir, sem ficar doente. Quem se apega a raiva, permanece acompanhado de uma energia negativa capaz de bloquear a entrada da energia positiva em sua vida.

Com o passar dos anos aprendemos também que não somos o centro do mundo, que nem tudo é sobre nós, que entes queridos, colegas de trabalho, amigos e desconhecidos podem dizer e fazer coisas que nos magoam e muitas vezes não estarem falando ou fazendo nada relacionado diretamente a nós. Várias pessoas têm problemas sérios, muitas vezes nem sabem lidar com eles e acabam projetando nos outros.

Uma lição importante também tem a ver com uma das principais razões porque começamos a ajudar os outros, problemas, dificuldades, situações estressantes, esses fatores nos fazem mais pacientes, mais predisposto a ajudar outros passando pela mesma situação que estamos ou que já vivenciamos.

Quando somos mais novos, mesmo sabendo que a morte é um fato, ela parece algo distante, a não ser que alguém muito próximo tenha falecido ainda jovem, mas na maior parte do tempo, parecemos esquecer que a morte pode vir a qualquer momento, com o passar dos anos passamos a tentar desfrutar mais o agora, momentos especiais vem e vão, temos que aprender a absorvê-los, a aproveitar os amigos, os familiares mais idosos, é fato , a perda depois de uma certa idade começa a ser mais constante.

A persistência também passa a ter um papel importante, apendemos que ela tem um poder impressionante, que vem acompanhada de um esforço para atingir uma meta, os persistentes parecem depositar diariamente em seus sonhos, muitos hoje em dia são empreendedores, outros estão morando em um país diferente daquele onde nasceram, começaram uma nova história em suas vidas, tem aqueles ainda que demoraram mas estão trabalhando na empresa dos sonhos, a persistência ajuda a olharmos para trás e nos sentirmos realizados, pelo menos por termos tentado de todas as formas possíveis a alcançarmos algo que desejamos, mesmo que não tenha dado certo.

O tempo também ensina a diferença entre fazer algo por fazer e fazer algo porque se ama fazê-lo, aprendemos a identificar nossa “paixão”, e através da persistência conseguimos muitas vezes alcançá-la.

Os relacionamentos passam a serem vistos e vividos mais profundamente, com mais consciência em relação a você e ao outro, acho que a vida nos ensina depois de cada relação amorosa ou pessoal, a identificarmos um reflexo bom ou ruim de nós, um reflexo de nossas inseguranças e necessidades mais profundas.

Nossos pais passam a serem vistos de outra maneira, pense em como os via quando criança, depois na adolescência e como com o tempo essas visões foram se modificando. Para quem tem filhos, o mundo apesar de ser o mesmo mundo de sempre, se torna outro, nossas preocupações com o futuro próximo e com o futuro distante, com as consequências de nossas ações, com as consequências das ações dos outros, tudo nos faz mais atentos, mais alertas, em certos momentos mais corajosos e em outros mais temorosos.

No ano passado um amigo morreu de repente, tinha apenas 39 anos, me fez ver que não vale a pena adiar muito tempo as coisas, que nem sempre temos que esperar a situação ficar melhor, esperar que algo aconteça, porque a verdade é que alguma coisa sempre vai estar no caminho, algo sempre vai servir de motivo para nos atrasar. Temos que aprender a viver o hoje, ser feliz hoje, porque amanhã, por mais clichê que pareça, pode não existir. Pense nisso.

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