Obesidade infantil como tratar?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 41 milhões de crianças de países desenvolvidos e em desenvolvimento, com menos de 5 anos estejam acima do peso e a identificação precoce da obesidade infantil e a introdução de um tratamento adequado são importantíssimos para auxiliar na diminuição dos riscos de uma fase adulta obesa trazendo grandes benefícios para a sua saúde.

Sendo um dos principais problemas de saúde no mundo, esse número reflete a mudança de hábitos entre as crianças, como o  aumento do consumo de alimentos industrializados e a falta de exercícios. Muitos estudos mostram que os pais frequentemente não reconhecem o excesso de peso dos filhos e muitas vezes ainda têm uma percepção equivocada a respeito da qualidade da dieta da família, associando quantidade de alimento no prato a qualidade de alimentação.

De acordo com Marcela Tardioli consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), a conscientização dos pais sobre os riscos e consequências do sobrepeso para o futuro das crianças e sobre as formas mais adequadas de evitar o ganho de peso é fundamental para a reversão do quadro atual do crescimento da obesidade.

No caso das crianças, dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) apontam que esse quadro pode estar relacionado com sedentarismo, peso ao nascer, aleitamento materno, obesidade dos pais e fatores do crescimento. “A família deve ficar atenta também a comportamentos que possam causar distúrbios alimentares, como ansiedade e depressão na adolescência”, diz a especialista.

Ainda segundo dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), 80% das crianças obesas viram adultos obesos. Em famílias com histórico de obesidade, a dieta da família toda tem que mudar, todos devem participar já que a família é parte integral da vida da criança.

Os pais sempre devem lembrar que a criança obesa é fruto de um ambiente que gerou isso, a obesidade infantil causa sérios problemas de saúde que podem acompanhá-la até a vida adulta.

Um estudo publicado pelo jornal Obesity Journal – Pediatric Obesity em 2017, realizado com 126 pessoas em Seychelles, no Oceano Índico, com avaliações feitas entre 1991 e 1998, repetidas entre 2002, 2008, 2010 e 2011, mostrou que a infância e a adolescência são os períodos mais importantes para promover a perda de peso saudável. Um ponto importante é que fatores que geram a obesidade (como sedentarismo, por exemplo) podem ser modificados nesta fase da vida com a introdução de novos hábitos que contribuam para a diminuição de peso antes de gerar doenças associadas que dificultem o tratamento.

Segundo a nutricionista, o tratamento da obesidade deve ser acompanhado por profissionais de saúde, como nutricionista, médico e psicólogo, nunca deve-se introduzir dietas restritivas na rotina das crianças ou adolescentes sem orientação, pois a risco de comprometer o desenvolvimento do organismo, além de poder originar compulsões alimentares.

Sempre deve-se levar em consideração a qualidade dos nutrientes, uma alimentação equilibrada, atividade física e apoio da família são caminhos para a perda de peso e melhora da qualidade de vida das crianças.

O tratamento da obesidade pode ser realizado de diversas formas. Entre as alternativas estão:

  • Reeducação alimentar: adoção de uma dieta balanceada, que forneça todos os nutrientes em quantidades suficientes, sem excessos.
  • Diminuição progressiva das calorias: o ideal é diminuir progressivamente as calorias, levando em consideração a qualidade dos nutrientes.
  • Entender a importância de cada refeição: café da manhã, almoço e jantar são as principais refeições do dia e não podem ser substituídas por alimentos que tragam maior teor calórico e menor valor nutricional. Já os lanches podem ser mais leves, compostos por biscoitos, frutas, pão, entre outros.
  • Horários e frequência das refeições: o nosso organismo também apresenta um “relógio” e a criação de uma rotina com horários para as refeições contribui para um melhor funcionamento do intestino, por exemplo. Também evita que a pessoa fique longos períodos sem comer.
  • Tratamento farmacológico: na ausência de todos os outros tratamentos e somente com acompanhamento médico especializado. É indicado exclusivamente em último caso.
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