O inverno e as doenças respiratórias e cardiovasculares

As oscilações de temperatura e baixa umidade relativa do ar contribuem para o aparecimento de doenças respiratórias e cardiovasculares (como insuficiência cardíaca, arritmias e insuficiência coronariana) durante o inverno, onde o clima fica mais frio e o tempo seco  acaba aumentando a concentração de poluentes na atmosfera.

Algumas das doenças respiratórias são: resfriado e gripe (causados por vírus respiratórios sendo transmissíveis por gotículas respiratórias), crise de asma, bronquite, sinusite e pneumonia.

No ano passado 177,8 mil pessoas foram internadas no SUS (Sistema Único de Saúde) em decorrência da asma, sendo 77,1 mil crianças. Asma é responsável por 2,5 mil mortes por ano no país e atinge mais de 150 milhões de pessoa no mundo.

Um estudo realizado pelo Instituto de Asma UK, da Grã-Bretanha, revelou que 1/3 das pessoas que sofrem de asma correm o risco de sofrer um ataque fatal, de acordo com os pesquisadores, cerca de 75% das internações de emergência relacionadas à asma poderiam ser evitadas se houvesse um melhor gerenciamento da doença

Caracterizada por uma inflamação nas vias aéreas, acomete geralmente os brônquios e bronquíolos, dificultando a respiração gerando sintomas que variam de acordo com cada pessoa, podendo ser falta de ar, chiado e aperto no peito, cansaço, tosse seca.

No inverno os casos de problemas respiratórios aumentam, em especial a asma, já que “o tempo seco, partículas de fumaça, gases irritantes, substâncias químicas e alérgenos potenciais existentes na atmosfera agravam as crises asmáticas”.

A doença não tem cura, porém pode ser controlada com acompanhamento médico, remédios anti-inflamatórios e bronco dilatadores, que promovem a dilatação dos brônquios.

Os pacientes que se internaram nos últimos seis meses têm mais chances de sofrer um ataque grave, aqueles que utilizam inaladores cinco vezes ao dia ou mais ou que tomaram medicamentos com base em esteróides nos últimos seis meses também são classificados como pacientes de alto risco.

Segundo uma pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) grande parte das pessoas não sabe diferenciar asma de bronquite, duas doenças crônicas com causas e tratamentos completamente diferentes.

A bronquite crônica, que acomete adulto, é considerada uma doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), sendo otabagismo responsável por cerca de 80% dos casos e os demais causados por exposição a outras fumaças tóxicas, como a do fogão a lenha, ao longo de vários anos, ou seja, a exposição constante a substâncias irritantes, como a fumaça de cigarro ou outros produtos químicos, causa a inflamação dos brônquios, gerando a falta de ar, tosse com secreção (pigarro), podendo evoluir para enfisema pulmonar.

A bronquite aguda é a inflamação dos brônquios causada por um vírus ou por uma bactéria, dura apenas alguns dias e desaparece após o tratamento correto, sendo muitas vezes confundida com crises de asma.

O HCor – Hospital do Coração, em São Paulo, registra um aumento de 30 a 40% no atendimento a pacientes com doenças respiratórias e cardiovasculares durante as estações de outono/inverno, sendo as crianças e os idosos mais suscetíveis.

Os ambientes fechados são propícios para a disseminação de vírus respiratórios, é importante manter todos os ambientes ventilados e lavar as mãos com freqüência.

“O aumento da pressão arterial e da tendência à coagulação do sangue ocorrem com a exposição ao frio, e podem estar envolvidas com o maior risco de doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e arritmias. Por outro lado, a exposição à poluição, típica de um dia mais seco, também pode levar ao aumento da coagulação do sangue e inflamação sistêmica – que estão associados aos eventos trombóticos que ocorrem no infarto e acidente vascular cerebral.”

A sinusite é uma inflamação das vias respiratórias superiores (seios paranasais) e  geralmente está associada a um processo infeccioso por vírus, bactéria ou fungo mas que também pode estar associada a uma alergia ou  inalação de poluentes. e a pneumonia é uma doença inflamatória no pulmão afetando especialmente os alvéolos, geralmente causada por uma infecção (bactérias, vírus, fungos, parasitas), mas há uma série de outras causas, tendo como sintomas febre alta, tosse, dor no tórax, alterações da pressão arterial, confusão mental, mal-estar generalizado, falta de ar, secreção de muco purulento de cor amarelada ou esverdeada, toxemia, prostração.

Dicas úteis para fugir das doenças respiratórias e cardiovasculares durante o inverno:

  • Visita de rotina ao médico
  • Manter  o organismo hidratado
  • Evitar fumar ou se expor a ambientes com muita poeira ou fumaça
  • Manter o ambiente arejado (bactérias e vírus se disseminam em ambientes fechados)
  • Lavar as mãos com freqüência
  • Manter as vacinas em dia
  • Aquecer  os ambientes nos dias mais frios
  • Manter a umidade adequada nos ambientes
  • Utilizar roupas adequadas (casacos  e luvas) quando houver necessidade de se expor ao ar livre em dias frios, evite mudanças de temperatura sem proteção adequada de roupas
  • Manter o tempo de sono adequado
  • Manter uma  alimentação saudável
  • Fazer exercícios físicos, porém nos dias secos, evitar exercícios físicos no meio do dia e perto de vias de grande circulação

Fatores que desencadeiam uma crise asmática

  • Alérgenos (toda substância capaz de desencadear uma reação alérgica ) e irritantes
  • Infecções de vias aéreas
  • Exercício físico (asma desencadeada por exercício)
  • Refluxo gastroesofágico – retorno do fluxo de suco gástrico e/ou conteúdo no duodeno (ácido biliar; suco pancreático) até o esôfago distal
  • Causas emocionais
  • Cortinas, tapetes, carpetes
  • Animais domésticos
  • Ambiente não ventilado
  • IMPORTANTE: encapar colchões e travesseiros e lavar semanalmente as roupas de cama

Fatores de risco para pneumonia:

  • Fumo que pode provocar reação inflamatória que facilita a penetração de agentes infecciosos
  • Bebida alcoólica pode interferir no sistema imunológico e na capacidade de defesa do aparelho respiratório
  • Ar-condicionado deixa o ar muito seco, facilitando a infecção por vírus e bactérias
  • Resfriados mal cuidados
  • Mudanças bruscas de temperatura

Via: aqui,  aqui, aqui,

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