Gravidez tardia e fertilidade

Engravidei do Adriano com 34 anos e quando ele nasceu eu já estava com 35 anos de idade. Na primeira consulta com a obstetra fiquei passada quando ela me informou que a minha gravidez era considerada geriátrica. Tenho várias amigas que também optaram por ter filhos depois dos 30 anos, considerada como maternidade tardia (entre 30 e 39 anos) e segundo relatório de Estatísticas do Registro Civil, do IBGE, divulgado no final de novembro e relativo a 2015, esse tipo de maternidade chega a 30% no Sul e no Sudeste.

Em São Paulo, por exemplo, 30% das mães engravidam nessa faixa etária, ante 22% em 2005. Infelizmente essa muudança comportamental que muitas mulheres estão vivendo não acompanha a saúde reprodutiva do corpo feminino e dificuldades para engravidar naturalmente após os 35 anos são maiores

Para a médica especialista em medicina reprodutiva Dra. Claudia Gomes Padilla do Grupo Huntington, a mulher moderna está inserida no mercado de trabalho, cuida da casa, do corpo e, por isso, planeja ter filhos com mais idade e muitas vezes quando esse momento chega, pode ser tarde, pois a qualidade e quantidade dos óvulos pode não ser suficiente, o que dificulta muito a gravidez natural.

A taxa de fecundidade, que estima o número médio de filhos por mulher em idade fértil, também confirma essa tendência: em 2000, foi de 2,39, e, em 2015, caiu para 1,72, na década de 60 a taxa era 6,3. Infelizmente o corpo feminino não acompanha as mudanças comportamentais, e uma gravidez depois dos 35 anos pode ser muito dificultada já que o número e qualidade de óvulos, especialmente a partir dessa idade, é consideravelmente menor.

Essa mudança comportamental também é percebida pelas clínicas de reprodução assistida do Brasil e o congelamento de óvulos já se tornou uma realidade entre as mulheres e cresce ano após ano. Segundo a Dra. Claudia, além da questão física e da diminuição da fertilidade, o método de congelamento se tornou mais eficaz recentemente, o que dá mais segurança às mulheres que pretendem realizar o tratamento. A vitrificação é uma técnica que substituiu a anteriormente utilizada – denominada congelamento lento e melhorou consideravelmente os resultados e a rapidez do processo. Com a nova tecnologia, a chance de o óvulo sobreviver ao congelamento é de 95%.

Para o congelamento de óvulos os ovários são estimulados com indutores de ovulação, para gerar o crescimento dos folículos ovulatórios, os óvulos são colhidos no momento adequado, com a paciente sedada e após coletados, o congelamento rápido da célula é feito com nitrogênio líquido, à baixíssima temperatura (cerca de -196°C). Quando a mulher decidir utilizar o óvulo para ter filhos, a célula passa pelo processo de desvitrificação – ou descongelamento.

Os óvulos são fertilizados em laboratório e os embriões formados introduzidos no útero. A taxa de sucesso de fertilização após o descongelamento é de 80%. O congelamento também é indicado para os casos de mulheres com histórico de menopausa precoce na família, já que o esgotamento de sua reserva ovariana pode ser mais rápido, e em casos de futuro tratamento de câncer, que se constitui em fator de risco para infertilidade por conta da quimioterapia e radioterapia.

Mesmo nesse procedimento, a idade tem influência e quanto mais nova a mulher for ao fazer o procedimento, maiores são as chances de engravidar quando decidir utilizar estes óvulos. Segundo alguns dados do Grupo Huntington sobre a relação de idade e congelamento de óvulos a chance de gravidez para mulheres com até 35 anos é de 50%, entre 36 e 39 anos, cerca de 45%, até 40 anos, em torno de 25% e após os 40, a taxa despenca: vai de 10% a 15%.

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